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Alegrias e Alegorias
October 26

Os Caminhos do Poder

mandato:
1. período de tempo determinado oficialmente no qual alguém detém poder ou responsabilidades. mandato. eleito para um mandato de quatro anos [elegido para un mandato de cuatro años]; término de mandato [término del mandato].
2. poder dado a um país, depois da Primeira Guerra Mundial, pela Liga das Nações (hoje pela ONU), para governar um outro país ou parte dele.
3. missão, incumbência. mandato.
4. ordem ou preceito de superior para inferior; mandado. mandato, orden.
(Em Português , não é comum o uso do termo mandato no sentido de ordem, procuração).

mandato imperativo:
1. aquele que impõe ao parlamentar eleito pelo povo a obrigação de votar de um certo modo.
2. espécie de mandato, baseado no princípio da revogabilidade, que vigorou antes da Revolução Francesa, de acordo com o qual seu titular ficava vinculado a seus eleitores, cujas instruções teria que seguir nas assembléias parlamentares; se aí surgisse fato novo, para o qual não dispusesse de instrução, ficaria obrigado a obtê-la dos eleitores, antes de agir; estes poderiam cassar-lhe a representação.(*) mandato imperativo.

mandato político-representativo:
1. situação político-jurídica com base na qual alguém, designado por via eleitoral, desempenha uma função política na democracia representativa.
2. direito ou poder dado a um governo ou grupo de pessoas para representá-los, decidir, votar e agir em seu nome. mandato electoral.

October 25

Alegoria da Caverna_ Parte IV

Diante da obra e vida de Platão, fica mais difícil analisar sua filosofia sob uma ótica metafísica ou religiosa, ou que não seja a política. Um homem que debateu com soberanos vaidosos conduzindo o destino de nações; que tentou implantar uma acadmeia para estudos materialistas e que via suas propostas sendo negadas por imperadores autoritários e com concentrado poder, deve querer dizer algo mais do que obscurantismo e personalismo nas sua filosofia. O viés máximo da obra de Platão é a política, e dentro desse viés, a revolução. O que mais se pode esperar de pessoas que conseguem "sair da caverna"?
Uma pessoa saindo da caverna seria um acontecimento isolado, mas milhares de pessoas libertando-se dos grilhões que lhes amarram à escuridão, ao obscurantismo religioso, à obediênica a um monarca, a um fidalgo, a um patrão, significa nada mais do que uma revolução. E Platão não deveria estar referindo-se a algo individual quando fundou as bases de sua alegoria.

Alegoria da Caverna_ Parte III

"Platão nasceu um ano após a morte do estadista ateniense Péricles.
Seu pai tinha como ancestral o rei Codros e sua mãe tinha Sólon entre seus antepassados. Inicialmente, Platão entusiasmou-se com a filosofia de Crátilo, um seguidor de Heráclito. No entanto, por volta dos vinte anos, encontrou o filósofo Sócrates e tornou-se seu discípulo até a morte deste. Pouco depois de 399 a.C., Platão esteve em Mégara com alguns outros discípulos de Sócrates, hospedando-se na casa de Euclides. Em 388 a.C., quando já contava quarenta anos, Platão viajou para a Magna Grécia com o intuito de conhecer mais de perto comunidades pitagóricas. Nesta ocasião, veio a conhecer Arquitas de Tarento. Ainda durante essa viagem, Dionísio I convidou Platão para ir a Siracusa, na Sicília. Platão parte para Siracusa com a esperança de lá implantar seus ideais políticos. No entanto, acabou por se desentender com o tirano local e retorna para Atenas.

Em seu retorno, funda a Academia.
A instituição logo adquire prestígio e a ela acorriam inúmeros jovens em busca de instrução e até mesmo homens ilustres a fim de debater idéias. Em 367 a.C., Dionísio I morre e Platão retorna a Siracusa a fim de uma vez mais tentar implementar suas idéias políticas na corte de Dionísio II. No entanto, o desejo do filósofo foi novamente frustrado. Em 361 a.C. volta pela última vez a Siracusa com o mesmo objetivo e pela terceira vez fracassa. De volta a Atenas em 360 a.C., Platão permaneceu na direção da Academia até sua morte, em 347 a.C.".
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o

Escravos

HOMEM LIVRE
Carlos Drummond de Andrade

Atanásio nasceu com seis dedos em cada mão.
Cortaram-lhe os excedentes.
Cortassem mais dois, seria o mesmo
admirável oficial de sapateiro, exímio seleiro.
Lombilho que ele faz, quem mais faria?
Tem prática de animais, grande ferreiro.

Sendo tanta coisa, nasce escravo,
o que não é bom para Atanásio nem para ninguém.
Então foge do Rio Doce.
Vai parar, homem livre, no Seminário de Diamantina,
onde é cozinheiro, ótimo sempre, esse Atanásio.

Meu parente Manuel Chassim não se conforma.
Bota anúncio no Jequitinhonha, explicadinho:
Duzentos mil-réis a quem prender crioulo Atanásio.
Mas quem vai prender homem de tantas qualidades?

in Menino Antigo (Boitempo II)
José Olympio, 1973
© Graña Drummond
http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond12.htm
October 16

A Alegoria da Caverna_ Parte II

Há muitas interpretações da Alegoria da Caverna, de Platão, com referências em milhares de páginas na internet. A interpretação que mais chama a atenção é a religiosa, mas onde estaria o seu erro?
Estaria no fato de toda religião possuir como fundamento o apriorismo, ou ausência de comprovação científica para se crer em um determinado fenômeno ou fato: basta a fé. Além do mais, o mundo material, para todas as religiões, é portador de dor e sofrimento, aludindo-se a ele as piores coisas possíves, já que somos mortais, e o processo de envelhecimento dos seres orgânicos vem sempre acompanhado de degeneração, até o completo falecimento dos órgãos e a morte. Como é possível, então, tirar conclusões religiosas de uma alegoria que baseia-se, exatamente, na descoberta e reconhecimento das coisas materiais como fundamento do pensamento e da vida?
Platão, em nenhum momento, reconhece a religião como fundamento da vida social, política ou filosófica em sua alegoria, mas essa transgressão acontece de maneira corriqueira nas interpretações. Seria consequência do simples fato de Platão referir-se a outros mundos e dimensões? Estariam os religiosos e místicos simplesmente ignorando a intenção de Platão de referir-se ao pensamento e ao conhecimento (científico, biológico, físico e material) da realidade e acarretando uma inversão dos valores pregados por Platão, como fazem os ideólogos do capitalismo com as teorias da evolução de Darwin?
Esquecem que por trás da alegoria descrita há uma infinidade de questões que apenas o "diálogo" aristotélico não conseguiu desvendar: quem aprisionou os homens na caverna? quem cometeu tamanho sadismo de passar-lhes os grilhões no pescoço?
A alegoria de Platão segue adiante de todos os misticismos e religiões, encontrando eco no dia-a-dia das coisas reais e materiais, onde o patrão se apropria das riquezas produzidas pelos empregados. E estes estão cada dia mais explorados, mais humilhados, mais acoados pela polícia, pela opressão, pela vigilância, pelo discurso religioso, da cidadania e da igualdade inexistente. Muitos conseguem sair da caverna, libertarem-se, lutar pela libertação de outros mais. Descobrem que não só é preciso desconstruir a realidade, mas lutar contra aqueles que mantêm a "caverna", e a luta é árdua, é política. Mas não é impossível, pois tudo o que existe é uma possibilidade, e toda possibilidade é uma utopia que ainda não se concretizou.

Fora toda explicação sobrenatural dos fenômenos materiais! Fora todo misticismo e obscurantismo!
É preciso tomar partido! Por uma filosofia científica e de classe!

A Alegoria da Caverna_ Parte I

"Imagine uma caverna subterrânea onde, desde a infância, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de maneira que são forçados a permanecerem no mesmo lugar e a olharem apenas para a frente. A entrada da caverna permite que alguma luz ali penetre, proveniente de uma imensa e alta fogueira externa.
Entre a entrada e os prisioneiros foi erguida uma mureta por onde homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Os prisioneiros enxergam, na parede do fundo da caverna, as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as estatuetas, nem os homens que as transportam. Os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas, já que não sabem distinguir estas das sombras. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira exterior, e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse um dos prisioneiros?
Em primeiro lugar, ele olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, iria até a entrada da caverna. Num primeiro momento, ficaria completamente cego, descobrindo que a fogueira, na verdade, é a luz do sol, e sua visão seria ofuscada por ela. Acostumando-se com a claridade, e prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que durante sua vida não vira senão sombras e que, somente agora, contemplava a realidade. Então conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna para tentar libertar os outros. Para Platão, nesse retorno, os demais prisioneiros não acreditariam em suas palavras e, certamente, acabariam por considerá-lo louco, e o matariam".

"Convite à Filosofia", Marilena Chaui (adaptado).
"A Alegoria da Caverna"_
Platão, in "A República"; Livro VII, 514a-517c.

Asas do Arquiteto

Dédalo, arquiteto e inventor grego, projetou para o rei Minos o labirinto onde o Minotauro foi aprisionado.
Após Teseu conseguir entrar no labirinto, matar o Minotauro e fugir, com a ajuda de Medéia, o rei Minos mandou prender o arquiteto e seu filho, Ícaro, no local. Para escapar, Dédalo construiu dois pares de asas utilizando-se de cera. Contudo, quando os dois estavam voando para longe do labirinto, Ícaro, empolgado com a possibilidade de voar, acabou indo alto demais e o Sol derreteu a cera de suas asas, fazendo com que caísse no mar, dando origem à ilha que recebeu o nome de Icária, em sua homenagem.

October 14

Trabalho Voluntário, A Nova Escravidão

Inimigos da Educação
A maioria dos professores públicos rejeita o projeto "Amigos da Escola", da Rede Globo.
Baseado em trabalho voluntário, com horário e tarefas pré-estabelecidas, mas sem remuneração, os professores conseguem ver a proposta privatista e sucateadora do projeto em relação à escola pública e de qualidade. Para quê concurso público ou aumento de salário se há gente querendo trabalhar de graça?!
Assim, os governos economizam dinheiro para pagar aos banqueiros credores do Estado, que também são credores e acionistas da Rede Globo. Um perfeito círculo vicioso, quase uma mandala mística e sagrada, onde vemos o trabalho sem garantias, sem remuneração e sem vínculos substituir o trabalho de profissionais concursados e qualificados.
A nova escravidão surge, assim, como uma forma exploratória dissimulada e mais cruel, onde o escravo aceita sua condição de excluído e ainda agradece ao seu dono a chance de poder ser explorado.
A opinião dos educadores:
"os amigos da escola", verdadeiros inimigos da educação, estão tirando a oportunidade dos verdadeiros profissionais da Escola.
Não pretendo desvalorizar o voluntariado, mas mostrar a grandeza do voluntariado de trabalhadores que vão à escola fazer o trabalho de outros é um recurso nada ético".
http://www.abpp.com.br/artigos/39.htm
"se a moda dos amigos da escola pega não vai ser preciso pagar a mais ninguém para trabalhar com o ensino público; o Estado vai poder demitir mais trabalhadores da educação - de professores a merendeiras; o desemprego vai aumentar e o governo não vai mais precisar gastar um tostão dos recursos recolhidos pelo fisco com a escola".
http://geosfera.vilabol.uol.com.br/fernandes.htm

Falsas Verdades

Pensamento Ingênuo
A partir de hoje, registro aqui frases que vejo e ouço nas ruas, nos jornais, na TV, no rádio. Lembrando que por trás de toda ingenuidade há uma ideologia apaziguadora e conformista. vamos a eles:
1- não há motivos para guerra;
2- somos todos cidadãos;
3- trabalho voluntário não é trabalho escravo;
4- é preciso fazer caridade;
5- o trabalho enobrece o homem;
6- bandido bom é bandido morto;
7- educação garante o futuro;


October 12

Quem é o Terrorista?

Um Brasileiro em Londres é tido como suspeito ao sair de casa para ir trabalhar e, após entrar no metrô, é perseguido por policiais que o matam com um tiro na nuca. Na televisão, o seriado do momento é a história de um policial norte-americano que suspeita, persegue e tortura sem provas pessoas suspeitas de terrorismo (quanto de dinheiro o governo deve ter investido nesse "empreendimento" televisivo?). Jack Bauer não pensa, ele age! E isso faz toda diferença em um mundo onde os ricos estão cada vez mais ricos, e são cada vez mais minoria, e os pobres estão cada dia mais pobres, sendo imensa maioria. Para proteger seu patrimônio é preciso ter sangue frio e nenhuma comiseração. O que vale mais: um celular de última geração ou a vida de um homem que rouba o celular?
O assassinato do brasileiro ficou por isso mesmo e Jack Bauer continua aplicando seus métodos na TV, sob o aval da Casa Branca. Até quando?

October 11

Um Cão Andaluz

Um homem afia sua navalha para, logo após admirar a lua, fatiar o globo ocular de uma mulher viva. Assim começa Un Chien Andalou, que Luis Buñel e Dalí filmaram em 1928, lançando as bases do cinema surrealista e escandalizando as platéias. Cortar um olho nada significaria, mas aqui o que se corta é a percepção acomodada e conservadora do espectador, com a navalha do surrealismo, que revolucionaria também o cinema. Formigas saindo da palma da mão de outro homem anunciam seu desejo e predizem seu futuro.
Dias Gomes, décadas depois, faria sair formigas do nariz de um de seus personagens, em Saramandaia, e Oh-Dae-Su, do filme Old Boy, ganharia Cannes com as mesmas formigas e predestinação. Com o movimento das câmeras, a maneira de filmar e o uso da música, nascia um novo cinema.
Pena que Mussolini, Hitler e Franco não assistiram esse filme em suas juventudes. Deve ter sido proibido nos quartéis...

Para assistir o filme completo (16 minutos de duração):
http://www.youtube.com/watch?v=oQRmZvSo6Z0

"Got me a movie
I want you to know
Slicing up eyeballs
I want you to know
Girlie so groovy
I want you to know
Don't know about you
But I am un
chien Andalusia

I am un chien Andalusia".
Debaser

(Black Francis)

Pixies
(p) 1989 4-A-D.

Estado, Avião e Tragédia

A Tragédia a que me refiro não é a da queda do avião da Gol, mas a da implantação das políticas neoliberais no país. Tais políticas pregam um Estado mínimo, onde as empresas e os organismos nacionais (Febraban, FIESP) e internacionais (OMC, FMI, ONU) passam a ter poder decisório no destino da nação, sob a lógica do mercado. Estado mínimo, lucro máximo. Quanto menos regras para as empresas, maior o lucro destas. Quanto menos um avião precisar pousar ou reabastecer, de acordo com sua quilometragem, maior a economia da empresa, pois quanto menos rígidas as leis que regulamentam as atividades do setor privado, maior o lucro dos seus acionistas.
A imprensa nacional e internacional (sob o monopólio de Globo, Veja, CNN, Reuters) disfarça e faz alarde com as listas de passageiros, fotos aéreas e etcetera, mas não tece um único comentário sobre a desregulamentação das normas da aviação civil, afinal, as agências de notícias também são privadas.
Estado mínimo, empresa máxima: o particular sobrepuja o público, o pessoal desbanca o coletivo, o pago humilha o gratuito e, assim, temos TODAS as rodovias estaduais de São Paulo privatizadas pelos governos Covas-Alckmin (50% das rodovias privatizadas do país estão em SP), universidades federais caindo aos pedaços, hospitais municipais abandonados, servidores públicos mal-remunerados. E playboys brincando livremente com seus jatinhos, em plena selva amazônica ou em Nova Iorque, pois tudo deve ser permitido na democracia neoliberal... para os patrões.

October 10

Utilidades

Em arquitetura existe um amplo debate sobre a forma e a função dos objetos materiais e dos seus graus de importância. Alguns estudiosos consideram este conflito superado, outros, algo sem solução. A função do objeto (seja edifício, seja equipamento, seja espaço urbano) seria um fator determinante e determinador da forma, defendem alguns. Mas, e se quiséssemos criar um grau, uma escala de importância dos objetos? os objetos possuiriam uma escala real de importância ou cada um possuiria sua própria significância no mundo material: uma faca seria mais importante do que uma colher? um garfo seria mais importante do que um computador? um ônibus seria mais importante do que um hospital? uma agulha mais importante do que um celular?
Considerando esta discussão menos importante do que a vida e suas vicissitudes, proponho uma foto-montagem para sepultar o assunto, já que este espaço não foi criado para discussões nem para exemplos banais de democracia burguesa. O que, afinal, seria mais útil: um templo religioso ou um orelhão? Desbloqueie os pop-ups e clique na miniatura da foto abaixo.
Abraços.

Ônibus Assassino...

National Geographic

Viaduto das Estrelas

Mas tem Pedágio...
Situado na França, o Millau Viaduc, sobre o rio Tarn, 5 km a Oeste da cidade francesa de Millau, eleva-se a 343 metros do solo.
É considerada no momento a ponte mais alta do mundo.
Não por acaso, é comparada com a torre Eiffel, inaugurada em 1889 na capital francesa, com 320 m de altura (incluindo uma torre de TV de 16 m, instalada em 1946).

O pilar sete, mais curto, tem 77 m de altura;
o pilar dois, mais alto, atinge 245 m de altura.
O tabuleiro, de 2.460 metros de extensão e 32,5 m de largura, tem espessura de 4,2 m, possuindo grande leveza, pois é formado por 173 grandes caixas metálicas que se estruturam como uma verdadeira coluna vertebral da obra.
O peso total da armação metálica é de 36 mil toneladas, cinco vezes o peso da torre Eiffel, e foram usados 85 mil m³ de concreto armado.
Em forma de ponte estaiada, o viaduto usa 154 tirantes, com pilastras metálicas de 87 m de altura acima da pista para a sustentação dos cabos metálicos (que conferem estabilidade à estrutura).

Atravessando o vale do rio Tarn, entre os altiplanos Rojo e Larzac (distantes entre si 3 km), o viaduto multi-atirantado é levemente encurvado (segue um círculo num plano de 20 mil metros de raio de concavidade orientada para Leste), e em rampa constante de 3,025% de Norte a Sul.
A rodovia é do tipo 2x2 pistas de circulação, com pistas duplas (7 metros de largura) margeadas por uma faixa de emergência de 3 metros de largura, à direita, e uma faixa à esquerda de 1 metro, mais um terrapleno central de 4,45 metros, totalizando 27,75 m de largura.
A obra está equipada de barreiras pesadas e de telas de proteção para os usuários contra o vento lateral.

Fonte:
http://www.leviaducdemillau.com/?lang=EN
http://www.novomilenio.inf.br/real/ed136z.htm


Mitos Mortos

Onde Fica o Cemitério dos Deuses Mortos? Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos?
Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era 'ipso facto' um bárbaro ou um quadrúpede. Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter?
E que fim levou Huitzilopochtli? Em um só ano – e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos – 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele. Hoje, se alguém lembrar-se dele, só pode ser um selvagem errante, perdido nos cafundós da floresta mexicana. Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória o seu irmão, Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25 mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma 'couronne des perles'. Mas quem sabe onde fica?

E onde fica o túmulo de Quitzalcoatl? Ou o de Xiehtecutli? Ou o de Centeotl, aquela gracinha de deus? Em qual inferno perdido e desconhecido esperam pela ressurreição? Quem desfruta suas heranças? Onde fica a sepultura de Dis, de quem César dizia que era o principal deus dos celtas? o de Tarves, o touro? ou o de Moccos, o porco? o de Épona, a égua? Mullo, o asno celestial? Houve uma época em que os irlandeses reverenciavam alguns desses deuses, mas hoje até o mais bêbado deles só consegue rir disso. Mas eles têm companhia no oblívio: o inferno dos deuses mortos é tão superlotado quanto o inferno presbiteriano para bebês. Todos foram deuses poderosos em seu tempo, adorados por milhões, cheios de exigências e imposições, todos capazes de unir e desunir – enfim, deuses de primeira classe.

Mas o
que terá acontecido a Sutekh, antigo deus de todo o vale do Nilo?
Durante gerações, os homens trabalharam para construir-lhes vastos templos – cada qual com pedras do tamanho de um bonde. O trabalho de interpretar os seus caprichos ocupava milhares de sacerdotes, bispos e arcebispos. Desafiá-los significava a morte, geralmente na fogueira. Os exércitos os defendiam contra os infiéis: cidades eram queimadas, mulheres e crianças chacinadas, seu gado afugentado. No fim das contas, no entanto, todos declinaram e morreram, e, hoje, não se encontra uma única alma penada para reverenciá-los. Todos foram deuses da mais alta eminência. Muitos são mencionados com temor e respeito no Velho Testamento. Há 5 ou 6 mil anos, estavam taco a taco com o próprio Jeová, e o mais galinha-morta de todos era muito superior a Thor. Pois foram todos para o nada.

Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – e todos estão mortos
”.
H. L. Mencken, crítico literário e escritor norte-americano - 1902/1976.
Referências:

Mitos, Deuses e Lendas

εσβεια
O título acima significa "piedade", ou respeito e reverência aos deuses, em grego.
Partindo da premissa que todo deus é um mito e que toda religião é um conjunto de lendas, reproduzo aqui trecho de um artigo sobre Hesíodo e Homero, de Jaa Torrano, professor Titular de Língua e Literatura Grega na Universidade de São Paulo (USP).
Hesíodo e Homero foram homens de carne e osso que cantavam canções sobre homens inventados, ou deuses. O cristianismo, em relação ao culto dos gregos, seria até interessante se não houvesse tanta gente acreditando em homens andando sobre as águas, abrindo mares com varetos e passando férias no estômago de baleias. Mas como sempre tem alguém ganhando dinheiro fácil por aí, tudo bem. Vale lembrar que todos os deuses gregos estão mortos e bem enterrados no cemitério das divindades, assim como os deuses astecas, maias, etc. E nós? Quando enterraremos os nossos?
" Muitos séculos antes de se adaptar a escrita fenícia à língua grega e de se criar assim esse prodigioso instrumento de comunicação, que é o alfabeto, os aedos gregos já compunham e sabiam de cor muitas e longas canções. Aedo em grego antigo significa "cantor"; os aedos eram os poetas que, antes da invenção do alfabeto, praticavam o culto da deusa Memória e das musas e recebiam dessas divindades o dom de compor canções ao som da lira.
Posteriormente, com a popularização do alfabeto, essas canções foram escritas e os aedos desapareceram, e aos poucos deixou-se de cultuar a deusa Memória. Mas é daquela época remota que nos chegaram, entre outras canções, a Ilíada e a Odisséia, cujo autor os gregos acreditavam ter sido Homero, um aedo da rica região da Jônia, Ásia Menor, no século 8 a. C.
Contemporâneo de Homero, um outro aedo chamado Hesíodo, que viveu na Beócia, região norte da Grécia continental, transmitiu-nos também importantes canções. Hesíodo e Homero estão nos umbrais da história grega, pois é a partir da época em que viveram que se divulgou mais intensamente o uso da escrita na Grécia. Mas foi como aedos (e não como escritores) que eles compuseram suas canções: inspirados pelas deusas musas, guiados pela deusa Memória, e servindo-se de técnicas de composição oral que durante séculos foram transmitidas de geração a geração.
Uma das canções de Hesíodo conta-nos como o mundo surgiu a partir dos primeiros Deuses, dos amores e das lutas entre os deuses. Os mestres-escolas da Grécia clássica chamaram essa canção de Hesíodo Teogonia, que significa em grego "nascimento de deus" ou "dos deuses". Esse nome teve tanto sucesso que até hoje essa canção é chamada assim.
Os mestres-escolas gregos utilizavam-na para ensinar a ler e escrever: eles faziam leves marcas de letras em uma tabuinha de cera mole e mandavam a criança reforçar as marcas, tornando as letras bem visíveis, e depois explicavam o sentido dos versos assim escritos. A Teogonia constituía, com os poemas de Homero, a cartilha por onde os gregos aprendiam a ler, a pensar, a entender o mundo e a reverenciar o poder dos deuses".

O artigo completo pode ser lido na fonte abaixo.
Abraços.
Revista Cult
http://revistacult.uol.com.br/website/news.asp?edtCode=E277DF61-D718-4085-81BD-02A58A04F04C&nwsCode=C2D18EAC-3C16-4001-8873-87194E1BF3AD

October 08

Surrealismo e Revolução

O Código Surrealista

"O que queremos:
a independência da arte - para a revolução
a revolução - para a liberação definitiva da arte".

Andre Breton e Leon Trotsky_ Cidade do México, 25 de julho de 1938

Para o surrealista, a realidade é algo construído pelos homens e a realidade dos homens seria um processo "cultural", inventado, artificial, em que todos estão embebidos_ contrapondo-se aos processos naturais ou biológicos.
A ideologia seria o motor deste processo e estaria em tudo o que fosse produzido e comercializado pelo homem. Por exemplo, a impressora que tenho é da marca HP e a escolha de tal impressora resultou de toda uma preparação ideológica, dizendo-me que ela é melhor, mais resistente, etc. Milhões de dólares são empregados em pesquisas e em propaganda para me convencer de que eu não poderia viver sem uma impressora. Acabei comprando uma e creio, agora, que nunca mais poderei viver sem ela. Seu funcionamento e utilização também fariam parte desse processo.
A realidade estaria construída sobre ideologias, idéias, ideais, e desconstruir essa realidade seria uma tarefa difícil, complicada, até mesmo delicada. A política seria um meio para isso. A arte também poderia sê-lo. A obra de arte, mesmo não sendo surrealista, possuiria, no seu interior, a dinâmica surrealista, pois a inovação, o novo, a característica própria da obra de arte, surgiria da ruptura com o que é tradicional, usual, pré-estabelecido e tido como realidade.
Os preconceitos de gênero, cor, credo e classe, o individualismo, a competitividade, a solidariedade, o Estado, a propriedade privada, o capitalismo, o socialismo, o direito, os deuses, medos, pecados, esperanças, tudo estaria na pauta do dia para o surrealista e seria necessário desmontar os discursos que tentam estabelecer padrões e sistemas que pregam a homogenização das coisas reais e da vida.
Desconstruir a realidade seria o objetivo do surrealismo e, mais importante ainda, seria contestá-la, enfrentá-la. Neste ponto, o surrealismo encontraria o marxismo, pois já não bastaria apenas decodificar e interpretar tal realidade, mas também modificá-la através da luta política. O homem, assim, seria capaz de qualquer coisa, pois, como já desconstruiu a realidade imposta, conseguiria vislumbrar outras realidades. Seria perfeitamente possível transformar a vida sob outras perspectivas.
O surrealista sugere que comecemos assim: palavras, objetos, ações, pensamentos, seriam selecionados aleatoriamente, sem conexão de significado ou fonética, no caso das palavras, e depois agrupados de maneira inconsciente. Obteríamos, assim, um grupo formando um contexto novo, inesperado, cheio de possibilidades, embrião e inspirador à obra de arte. O desenvolvimento desta técnica, aliada ao conhecimento prévio da psicologia e teorias políticas e sociais, prepararia o indivíduo para o novo, para a mudança e aperfeiçoamento de sua consciência, finalidade das práticas surrealistas.
Um trecho de uma carta de Andre Breton ilustraria assim esse processo:

"
...
Senhora,
um par
de meias de seda
não é
Um salto no vazio
UM CERVO
Antes de tudo o amor
Tudo poderia acabar tão bem
Paris é uma grande aldeia
...
"

Abraços surrealistas. Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Breton;

http://www.culturabrasil.pro.br/breton.htm (manifesto do surrealismo);

http://diplo.uol.com.br/2003-09,a729;

Ideologias e Armadilhas

No mundo há muitas armadilhas
Ferreira Gullar

No mundo há muitas armadilhas
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha

Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)
No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca
E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
que a vida é louca?

Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se entranha à vida e quer
a vida
e busca o sol, a bola, fascinado vê
o avião e indaga e indaga

A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.

Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar
e agüentarás até o fim.

O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje

A estrela mente
o mar sofisma. De fato,
o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los.
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.


October 07

"VEJA" Quanta Mentira!!!

VEJA mente
A revista Veja, consumida por 800 mil assinantes no país, e comprada por mais 200 mil em bancas de jornais, alimenta, semana após semana, as opiniões de quem não está afim de se aprofundar em temas como economia e política, mas mesmo assim compra a revista para não se sentir tão alienado do mundo em que vivemos.
Não sabem que estão consumindo o que de pior existe em matéria de jornalismo.
Uma revista que manipula as notícias, que edita fotos de maneira criminosa, que propaga boatos e semeia a mentira de maneira banal. Diversos sites na internet tratam deste assunto de forma séria. Vale a pena a visita. Alguns deles:
http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm
http://www.consciencia.net/midia/revistaveja.html
http://
www.novae.inf.br/pensadores/veja_covarde.htm
Se você é assinante de Veja, pense melhor na possiblidade de assinar outra revista que não seja do grupo Abril-Civita. Se você discorda, então faça um pequeno exercício: tente, em todas as edições que você possui, encontrar uma única notícia favorável aos trabalhadores do Brasil, ou de outro lugar. Uma única notícia favorável a alguma greve, a algum movimento social legítimo.
Não encontrará.
Reproduza este artigo em seu blog ou site. Divulgue os sites e esta campanha contra esta revista inimiga do povo.
Mas, se para você, isso não faz diferença, então continue lendo essa mentira...

Endurecendo com os Pobres

A Opus Dei no Poder
"Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), católico e ex-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o governador Cláudio Lembo, de São Paulo, deu outra demonstração de dureza com o crime organizado ao elogiar o combate à Máfia nos Estados Unidos e na Itália:
"Nos anos 30, não falavam em direitos humanos nos EUA e liquidaram todos os membros da Máfia'."


http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/brasil/2398501-2399000/2398523/2398523_1.xml

A Raiva no Século XVIII

Ora Que Melhora!
"Na quinta-feira, 16 de junho de 1783, um lobo raivoso entrou nos limites de Créancey. Era um macho extraordinariamente grande: quando ereto, podia morder até quase uma altura de 2 metros.
A primeira pessoa que ele atacou foi Pierre Bouteille, um vinhateiro de 29 anos, forte e vigoroso, mordendo-o na perna, no peito e no braço. O primeiro acesso de raiva de Pierre se deu em 22 de julho, quando estava na casa da mãe. Ao olhar um pequeno regato, ficou assustado e sentiu todo o corpo estremecer. Voltou então para casa e tentou beber para recuperar o equilíbrio, mas não conseguiu: seu terror aumentou. Deitou-se e não pôde conter os movimentos que o agitavam.
No dia 23, por volta das 2 horas da manhã, pressentiu que teria acessos de fúria. Pediu então que fosse amarrado, mas isso apenas assustou os presentes, que decidiram fugir. Somente a esposa permaneceu com ele.
A fúria temida ocorreu e ele fez de tudo para afastar a mulher, que não queria deixá-lo sozinho. Começou então a quebrar em seu quarto tudo o que podia: atravessou o vidro da janela com o punho, ensangüentando-se todo, arrancou os caixilhos e batentes, estraçalhou as madeiras e jogou tudo para fora.
Destruiu tudo com uma só mão, já que a outra segurava um crucifixo.
O pastor chegou e aproximou-se da porta fechada, (...) e conseguiu persuadi-lo de que, para não se matar e não matar a outros, era preciso tomar algumas precauções. Com uma corda, ele foi amarrado nas barras da janela. Durante a operação houve acessos de fúria: Pierre estremecia e emitia gritos que assustavam a todos.
Quando a fúria diminuiu, amarraram-lhe as pernas e os braços, e o deitaram numa cama de palha (...).
Enquanto era amarrado, Pierre Bouteille dizia: 'Tomem cuidado para que eu não os arranhe' e fechava os punhos com toda força para evitar que isso acontecesse.
Até o meio-dia passou maus momentos. Por fim, ficou fraco, babou e expirou por volta do meio-dia e meia, sem se desfigurar muito. (...) Foi sepultado em 24 de julho".

A religião era também um recurso contra a doença, considerada diabólica. Os que cruzavam um cachorro ou um lobo raivoso deviam, preventivamente, "rezar cinco pais-nossos, cinco ave-marias, fazer duas vezes o sinal da cruz e recitar o glória ao pai". A evocação de Santo Huberto impunha-se a todas as pessoas mordidas por um animal infectado.
Na Idade Média, a raiva era designada pela expressão "mal de Santo Huberto". Os pacientes, caso pudessem, deviam ir em peregrinação ao mosteiro de Andage. Os monges dispunham de duas cruzes, que aqueciam. Uma delas destinava-se aos seres humanos, a outra aos animais. O oficiante aplicava a cruz apropriada na mordida pronunciando a fórmula "Per merita Dionisii et Huberti sanet te Dominus" [Pelos méritos de Dionísio e de Huberto, que o Senhor te cure], enquanto o doente rezava cinco pais-nossos".
http://www2.uol.com.br/historiaviva/conteudo/materia/materia_34.html

Entrevista com James Petras

MST, CUT, Neoliberalismo e Lula
Em uma entrevista realizada um dia após as eleições presidenciais, o sociólogo norte-americano James Petras expõe suas primeiras impressões sobre o processo eleitoral brasileiro.
Abaixo, alguns dos principais trechos da entrevista para a rádio Centenário, do Uruguai, que pode ser lida integralmente no Portal Rebelion:
"Lula desarticulou tudo o que era o movimento popular, a CUT é um braço do Ministério de Trabalho, o MST está dividido, dizem que dão apoio crítico a Lula, mas esse é um apoio crítico a um neoliberal e corrupto. Parece-me outra indicação da desorientação política do MST, que foi grande autoridade moral da esquerda por 25 anos. Lula criou todo um bloqueio e as pessoas agora já não têm realmente um referencial de esquerda a nível nacional".
"Existe Heloísa Helena, existe o PSOL, o novo sindicato Conlutas, mas as grandes tendências vão até a direita. Lula legitimou o neoliberalismo, aprofundou as privatizações e esta política do Bolsa Família qualquer político conservador pode continuar sem nenhum problema (...)".
Entrevista completa:
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=38702%60
Fonte:
http://www.pstu.org.br/eleicoes2006_materia.asp?id=5742&ida=0

Para Ronald Reagan

À Morte de Um Canalha
Por Mario Benedetti

Os canalhas vivem muito,
mas algum dia morrem

OBITUÁRIO COM ‘HIP-URRAS’

Vamos festejá-lo
venham todos
os inocentes
os lesados
os que gritam à noite
os que sonham de dia
os que sofrem no corpo
os que alojam fantasmas
os que pisam descalços
os que blasfemam e ardem
os pobres congelados
os que amam alguém
os que nunca se esquecem
vamos festejá-lo
venham todos
o crápula morreu
acabou-se a alma negra
o ladrão
o suíno
acabou-se para sempre
‘hip-hurra’
que venham todos
vamos festejá-lo
e não-dizer
a morte
sempre apaga tudo
a tudo purifica
qualquer dia
a morte
não apaga nada
ficam
sempre as cicatrizes
‘hip-hurra’
morreu o cretino
vamos festejá-lo
e não-chorar por vício
que chorem seus iguais
e que engulam suas lágrimas
acabou-se o monstro prócere
acabou-se para sempre
vamos festejá-lo
a não-ficarmos tíbios
a não-acreditar que este
é um morto qualquer
vamos festejá-lo
e não-ficarmos frouxos
e não-esquecer que este
é um morto de merda

O Cilício

Obscurantismo e Medievalismo
O Cilício é um objeto metálico para ser amarrado na altura da virilha, constituído de argolas e ganchos afiados que se pregam na carne das pernas, causando dor, desconforto e até sangramento.
Ainda hoje muito usado
para combater excitações de cunho sexual, e como forma de resistir às tentações do mundo moderno, por católicos, padres e membros da Opus Dei. Que voltem, então, todos para a Idade Média e vivam das esmolas que tanto gostam!

"O Cilício:
Veste grosseira ou instrumento de mortificação que certos ascetas usavam ou usam para dominar os sentidos, reparar pecados ou unir-se aos sofrimentos redentores de Jesus Cristo.
Os pastorinhos de Fátima, sem nada saberem de ascese, usaram como cilício uma corda que os fazia sofrer pela conversão dos pecadores".


"No caso dos cilícios e disciplinas, é o devoto que manifesta e atua, embora consciente das suas limitações, no sentido de mostrar-se disposto a participar dos sofrimentos de Cristo, por amor à humanidade.
Sempre por amor à humanidade, unido a Cristo na sua Paixão".


"O espírito do Opus Dei incentiva a cultivar a oração e a penitência, como meios de manter o empenho por santificar as ocupações habituais.
Por isso, os fiéis da prelazia incorporam à sua vida determinadas práticas assíduas".

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Opus_dei

Clique na foto abaixo para ampliá-la e veja o objeto tão cobiçado entre os religiosos...
 
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